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Sim, I wanna be padrão. Eu explico.
Estava voltando pra casa hoje, ouvindo a Eldorado, quando o Daniel Daibem disse isso. E resume exatamente algumas coisas que eu estava pensando há algum tempo.
O comentário do Daniel foi sobre os vendedores de sapatos falarem que um sapato X é um produto diferencial, para conquistar o freguês, e que as roupas hoje, todas, são customizadas. Tudo hoje é muito customizado, que o diferencial agora é ser padrão. E lançou o “I wanna be padrão”. O melhor do Daniel é que os comentários saem do nada. Imagino que ele deva ficar lendo no estúdio, ou na Internerd, sei lá, porque quando ele entra no ar ele sempre vem com coisas ótimas pra falar.
Mas depois que eu ouvi isso, comecei a pensar em tudo o que andava pensando. E que “I wanna be padrão” ia ser meu lema, a partir de agora.
Porque está ficando irritante todo mundo querer ser igual a alguém. Qualquer coisa nova, pronto!, todo mundo corre pra ter, e ficam todos parecendo clones. Tipo a pulseirinha de borracha amarela. Quando eu vi a primeira, fiquei imaginando o que seria, e quando descobri, até pensei em comprar, porque achei bonitinha e porque simpatizei com a causa. Mas de repente, passou a ser um acessório obrigatório. Todo mundo precisa ter. E não só a amarela. Mas a azul, a verde, a branco e preto. Todas. Então, a causa que me desculpe, mas eu não quero mais a pulseirinha. Eu faço a minha parte de outra forma.
E acho que isso também tem a ver com o que falei no post passado. Não quero ser igual a ninguém, porque eu não sou igual a ninguém. O que eu acho ótimo. Porque eu odiaria ser mais um ser especial, que trabalha num lugar especial, com gente especial e faz coisas especiais.
Na verdade, eu sei que o que eu sou e o que eu faço é especial. Pra mim. E, em primeiro lugar, tem que ser especial pra mim. Talvez seja pras pessoas para quem eu trabalho, e não me refiro a nenhuma instituição, mas pra quem é destinado meu trabalho. E só isso. Não preciso provar nada pra ninguém, nem competir com ninguém.
Nem as pessoas hoje são mais diferentes. Já se fala até em escolher sexo de bebês, cor de olhos, cabelo, e coisas assim. Customização genética. Mais um pouco, e não vai ter mais graça ficar procurando alguém legal pra ficar, é só ficar com qualquer um, porque vão ser todos iguais.
Acho que isso tira toda a graça de tudo. Mas eu ainda prefiro ser um cara normal, fazendo o de sempre, e fazendo de tudo pra ficar de fora de tudo o que me deixe igual aos outros. Sempre quis ser diferente, e nunca pensei que ser diferente fosse tão fácil, Porque hoje, ser diferente é ser normal, ser padrão. E é por isso que I wanna be padrão.